2017



2017 foi uma maluqueira de altos e baixos.

Janeiro começou devagar entre planos de viagem e trabalho. Em Fevereiro relancei o blog com cara nova e nome novo. Março foi altura de investir e comprei uma câmara nova (vale cada cêntimo).
Com Abril veio a primeira viagem do ano e durante um mês perdi-me na Europa. Fui com uma das melhores amigas e foi uma viagem intensa em muitos aspectos. Tive, pela primeira vez, um sentimento estranho em relação ao tempo. Parecia que nunca mais passava. Muitos dos países por onde passei não eram novos para mim mas a maioria dos lugares era, e a última vez que estive nesses sítios foi há muito tempo. Estava me a divertir ao máximo e a aproveitar cada momento mas sentia demasiado conforto, era como se estivesse em casa e nem os desafios que nos iam aparecendo nos faziam sair de uma roda gigante de tempo, em que alguém parou o relógio. O tempo voa mas o tempo também pára. E toda esta percepção de tempo baralhou-me as ideias. Apesar disso foi nesta viagem que cheguei ao meu 50º país, um dos meus objectivos de vida (agora já são 60 hehe).

Seguiu-se o verão no Algarve com água morna. De Sagres a Olhão consegui aproveitar algumas tardes em que senti o sabor a férias. Foi altura de voltar ao ginásio com toda a força do mundo e perder-me em mais planos de viagem. Ainda pelo Algarve, voltei a reencontrar o grupo do Interrail e foi muito divertido relembrar a primeira grande viagem. No final de Agosto fui à Roménia ao casamento de uma das minhas melhores amigas, de quem tinha muitas saudades. Apesar de ter ficado quase uma semana com ela não conseguimos mata-las (tenho de voltar outra vez). Aproveitei que ali estava e fui dar uma voltinha na Roménia, onde já tinha estado, à Moldávia e à Ucrânia. Ainda tive tempo de visitar um país que não existe, Transnístria.

O dia 11 de Setembro foi o dia mais equilibrado desde que me lembro.
Passei o dia em Chernobyl, a realizar um dos meus sonhos, e à noite quando voltei a Kiev, naquela que era a minha última noite, fui jantar a um restaurante local. Como já lá tinha estado a internet conectou-se automaticamente e recebi a pior noticia da minha vida. O Sebastião morreu. Em choque, esperei que fosse a pior brincadeira de mau gosto de sempre. Não podia ser, o meu bebé não podia estar morto. Os bebés não morrem. Mas era verdade. E um dos dias mais felizes em viagem que já tive, tornou-se um dos piores da minha vida. Ele foi internado porque estava a vomitar sangue e estava abatido, percebemos mais tarde que tinha engolido uma meia (o pior vício que ele tinha, roubar meias). Foi cremado e continua a ser lembrado/amado todos os dias.
Universo, eu sei que o equilíbrio é necessário mas calma contigo.
Na manhã seguinte voei para Genebra com a pior cara que me lembro. Consegui relaxar e aproveitar a cidade apesar de algumas crises de choro, só de pensar em chegar a casa e não estar lá o meu querido Sebastião o coração apertava.

O Verão, embora mais triste, continuou Outubro adentro e eu segui religiosamente o meu plano de mindfulness. Novembro chegou e eu parti, de novo, em direcção a lugares que habitavam no meu imaginário há muito tempo. Foram três semanas com a minha melhor amiga a curtir o Chipre, Israel (quero tanto voltar já) e Jordânia. Da capital dividida, Nicósia ao rebuliço de Tel aviv, da energia intensa de Jerusalém à mágica Petra. Celebrei o meu 28º aniversário entre a Palestina e Jerusalém e em vez de foguetes ouvia-se tiros que variavam entre as rajadas e os tiros solitários. Foi inacreditável! Foi a primeira viagem que fizemos só as duas e não há-de ser a última. O último mês do ano trouxe frio e uma escapada no Alto Alentejo com o Zé. Foi muito bom relaxar com a paisagem alentejana como fundo.

Foi um ano agitado por isso para 2018 não vou fazer uma lista de desejos. Aliás, o meu único desejo é impossível, nada trará o meu Sebastião de volta. Tenho apenas um objectivo: ser mais consciente. Acredito que isso vai trazer menos stress, viagens mais lentas, organização mental, trabalhar menos mas melhor, mais tempo para mim e para as minhas pessoas e, claro, mais serenidade.

Espero que os vossos momentos bons em 2017 tenham ultrapassado em larga escala os maus. E que com esses tenham aprendido qualquer coisa.
Para 2018 desejo que tenham saúde para atingirem os vossos objectivos.
Muito amor 

Karkova













sei que a foto está péssima mas gostava de partilhar só para terem noção de 1% do amor que este cão tinha 




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8 comentários

  1. Lamento muito teres perdido o Sebastião, custa sempre tanto :(

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  2. Feliz ano novo!

    Gosto desse objetivo de ser mais consciente! ;)

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    1. Feliz ano novo!! Estou a trabalhar nisso :D

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  3. Feliz ano novo!!
    Muito bonito o texto mas pensava que eu era a tua melhor amiga. ahah
    Beijinhos

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  4. Oh não fazia ideia do Sebastião, deve ter sido uma perda brutal. Mas a vida tanto nos dá como nos tira e temos de saber lidar com isso para todo o.sempre.
    Chernobyl rules!! Embora devemos ser as unicas pessoas que pensam assim hehe
    Parabéns pelos 60 paises!! Sabemos que é o numero mas significa que já passaste por diversas culturas yeyy
    Feliz Ano Novo.K!

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    1. Foi terrível, quer dizer, foi e é. Ainda sinto tanto a falta do meu pequenino.
      Feliz Ano Novo Martinha, nós sabemos o significado <3 Boas viagens!
      Chernobyl tão boooom!
      Beijinhos

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i heart you.

K.

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