MIL JANELAS







Berat figurava em primeiro lugar na lista de lugares que queria visitar na Albânia. A cidade conhecida como a das mil janelas fascinava-me de alguma maneira que eu própria desconhecia. Como fotógrafa agrada-me criar padrões na paisagem e aqui era fácil criá-los. As ruas antigas empedradas e escorregadias ajudavam a criar a atmosfera ideal para desfrutar desta pequena cidade. A par com Gjirokaster (lê-se Girókáster) faz parte do grupo de cidades Património Mundial da Unesco. 

Saímos de Tirana cedo, o hostel era perto da estação de autocarros mas quando la chegámos percebemos que havia mais que uma. Com a confusão e já em cima da hora caminhámos mais de 1,5 km em passo apressado para garantir lugar numa das primeiras vans que saíam para Berat. 

Chegámos por volta da hora de almoço, procurámos o hostel, largámos as mochilas e saímos em direcção ao centro histórico e imagem de marca desta cidade albanesa, o bairro Mangalem.

A cidade é cortada ao meio pelo rio Osum. De um lado é o bairro Gorica e do outro o Mangalem e o resto da cidade. Ficámos no primeiro com uma vista sobre o rio e para as mil janelas. É um bairro mais básico mas familiar, habitado principalmente por gente mais idosa. Todo em pedra, lembrou-me os verões eternos passados com as minhas irmãs na vila da minha avó.

O Castelo de Berat é interessante porque há, efectivamente, pessoas a viver dentro dele. É uma aldeia. A subida é das mais penosas que subi nesta viagem mas a excentricidade de haver uma aldeia dentro de um castelo vale o esforço. Almoçámos tardiamente, comida albanesa, na varanda de um restaurante. 

Calcorreámos toda a área do castelo, as semelhanças com as vilas do interior centro português saltavam-me à vista. Está bem conservado e é um prazer nos perdermos por ali. E a vista sobre a cidade e sobre a natureza circundante é linda. As montanhas que rodeiam ao fundo a cidade estavam nevadas o que dava um toque de fotogenia a todas as fotografias que tirava.

Tudo o que sobe desce e a descida foi igualmente penosa. A inclinação era tanta que os joelhos gritavam. Compensaram as ruas labirinticas com as casas caiadas de branco e flores no paiol com todos os apaixonantes detalhes que nos lembravam que a Grécia estava quase ali. 

Com o fim do dia a aproximar-se e com a barriga ainda cheia do almoço decidimos nos sentar numa esplanada na avenida Republika e ver o modus operandi das pessoas. Viajar também é isto e o sol aqueceu-nos nesta missão. O lugar tem uma energia boa, uma energia que se entranha em nós e quando percebemos, o nosso coração já foi arrebatado. Talvez seja a hospitalidade da sua gente ou a harmonia da paisagem.

Para além do Castelo, dos bairros Gorica e Mangalem e de uma mesquita, há pouco para ver. Apesar de ter uma boa energia decidimos que tinha sido suficiente e que se seguíssemos viagem conseguíamos visitar Gjirokaster a caminho de Sarandë, na Riviera Albanesa.

No dia seguinte propusemo-nos a uma maratona. Sair cedo de Berat, passar as horas suficientes em Gjirokaster para conhecer o essencial e seguir viagem para Sarandë, onde íamos pernoitar.
Com a idade, estas maratonas começam a deixar de me fazer sentido mas queríamos conhecer tanta coisa que tinha de ser.

Quando chegámos estava de chuva, verificámos horários, abastecemo-nos com café e comida numa das muitas padarias supremas que havia e partimos à aventura. O destino era óbvio, o castelo lá em cima.

Uma das coisas que salta à vista nesta cidade é a arquitectura das casas otomanas brancas, em que muitas vezes o andar de cima é mais largo que o térreo. Vale a pena perdermo-nos pelas ruas da cidade velha, no bazar e apreciar a vida a passar devagar.

Gjirokaster fica encaixada no vale Drino e rodeada de montanhas com picos cobertos de neve e campos. Lá de cima, divertimo-nos a ver a diferença dentro da própria cidade. De um lado prédios, um ''estádio'' de futebol, bairros normais. Do outro, ali debaixo dos nossos pés, um labirinto de ruas empedradas, casas de pedras (inclusive o telhado), detalhes de outro tempo. 
O tempo pára em lugares assim.

Apesar das obras que estavam a fazer no centro histórico e da chuvinha chata que se fazia sentir, adorei a minha tarde na cidade onde o ex-ditador Enver Hoxha nasceu.

Ao fundo, uma nuvem negra, avisava a tormenta. Decidimos descer, entrar nas lojas, sentir mais um pouco da cidade. Mas a chuva estragou o plano e fomos para um café apreciar a tempestade.

Quando acalmou, procurámos a van que nos levaria para o último destino na Albânia: Sarandë.
























Gjiorkaster
















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