INDONÉSIA // TARTARUGANDO A RESSACA


Partimos de Ubud muito cedo em direcção à island life. O destino eram as ilhas Gili. Escolhemos ficar na ilha maior, Trawangan ou Gili T. Uma ilha que não tem estradas, nem carros. Só cavalos e palmeiras. Apesar de ter fama entre os viajantes de ser uma party island, achei-a mais interessante que as Phi Phi na Tailândia ou Bocaray nas Filipinas.
Ficámos numa pousada barata não muito longe da praia e o mercado nocturno era o nosso restaurante preferido. As nuvens perseguiam-nos por isso os dias continuavam lentos e de Bintang na mão. Quando chovia ficávamos à varanda a ler livros ou a falar da vida mas assim que o tempo melhorava corríamos para a praia à procura de tartarugas e peixinhos.

Por ali, aquela imagem espectacular de passear à beira mar é um bocado dolorosa pois esta está cheia de conchas partidas e coral. Auch. Por isso era sempre um filme para entrarmos dentro de água, íamos devagarinho para não magoar os pés e assim que nos conseguíssemos deitar nadávamos até onde havia menos pedras/conchas/coral e mais areia/algas e por ai ficávamos de molho na água morna.

Na primeira tarde estávamos cansadas da viagem e tínhamos estado de molho umas duas horas e não vimos nada. Disse à Bruna que devíamos olhar para onde estávamos e agradecer ao Universo a nossa sorte. Estávamos a flutuar, curtindo o agradecimento e achámos que estava na hora de voltar para casa, vestir qualquer coisa e ir até ao outro lado da ilha para ver o pôr-do-sol.  Nesse momento a Bruna, com os olhos esbugalhados, disse-me: atrás de ti.
Olhei e tinha uma tartaruga gigante a menos de 50 cm da minha perna!!!
Não queria acreditar! Metemos os óculos e nadámos atrás dela.
O tempo parou e naquele momento só via a tartaruga. Movia-se com uma delicadeza rápida. Não consigo passar para palavras a sensação que tive, foi um momento único. Fomos atrás dela até onde conseguimos. E voltámos para casa em profundo silêncio pois a natureza roubou-nos todas as palavras e encheu-nos de amor. Voltámos todos os dias e todos os dias nadámos com duas/três tartarugas.

Ficámos uma semana a ''perseguir'' todas as tartarugas que se cruzavam connosco, encantadas da vida. Os nossos amigos nunca as encontravam na praia, aliás parece que não é muito fácil encontrá-las na praia. E quando fizémos a boat trip para conhecer as outras ilhas, parámos num turtle point e vimos apenas uma tartaruga lá ao fundo. Fiz stand-up paddle e tentei surfar numa longboard, encontrámos um bar na praia que servia uns hambúrgueres vegetarianos que nos faziam chorar por mais, encontrámos uma cobra aquática e sem querer fotografei-a, fomos à full moon party na nossa última noite e pratiquei yoga às 7 da manhã. Tivemos mais experiências paranormais perto do cemitério da ilha. Aprendi a gostar da Bintang, a cerveja local, sendo essa a nossa companhia nos sunsets. Tivemos noites inesquecíveis de boémia, noites épicas que começam com um ''é só uma cerveja e voltamos'', muito limbo com toda a malta que conhecemos, dançámos até não sentir os pés no meio da tempestade. E curámos todas as ressacas com tartarugas.

Foram dias de verdadeiro paraíso.
Porque o paraíso não é um lugar é um estado de alma.



















 














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3 comentários

  1. Uau! O Universo respondeu aos vossos agradeçimentos sem voçes darem por isso... As Tartarugas marinhas são a sua representação. De certeza que passarei por aqui mais vezes. As fotos e os posts são cativantes, é como se tive se com vocês. Devia editar um livro, tenho a certeza que tinha sucesso garantido. Tudo de bom! Beijinhos 😃

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  2. que fotos lindas. adorei. deve ser espetacular viver uma experiência dessas!

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  3. Também quero nadar com tartarugas deve ser uma sensação tão boa <3

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i heart you.

K.

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