mochilão #12 // PERÚ








Quando decidi fazer o mochilão na América do Sul sabia que havia lugares que por mais que quisesse não podia perder, Salar do Uyuni/Atacama, Machu Picchu, Buenos Aires, Cataratas do Iguaçu e a costa do Uruguai eram o meu top 5. Feito o projecto da viagem decidi que uma vez que ia passar mais tempo no Chile, deixaria uma parte do Perú para ser descoberta noutra viagem e só exploraria a zona Sul, Arequipa, Cusco e Machu Picchu. 

Acredito que o Perú habita no imaginário de milhares de pessoas. Todos imaginamos um lugar mágico com montanhas verdejantes e coloridas, lamas a saltitar, oásis no deserto, muitas teorias sobre vida extraterrestre, o famoso ceviche e Machu Picchu, uma cidade inca perdida a 2400 metros de altitude que passou despercebida aos espanhóis e uma das sete maravilhas do mundo moderno.

O entusiasmo era grande e em Arequipa apaixonei-me pelo Perú. Era a imagem que ao longo dos anos criei da América do Sul. A praça de Armas, presente em muitas cidades de origem espanhola, as igrejas que encerram séculos de história, as cores do mosteiro de Santa Catalina, as vistas e a famosa Juanita,uma menina inca que foi sacrificada aos deuses e deixada nas montanhas que rodeiam a cidade (o corpo foi encontrado em 1995 e pode ser visto no museu dos Santuários Andinos).

Fiquei num hostel a três quadras da praça de armas para ser mais fácil explorar a pé. Até porque as atracções pouco se afastam da Praça. 






Sugeriram-me subir ao topo da Iglesia de la Compania para apreciar a vista mas já não é possivel. Por fora a igreja é muito bonita, toda trabalhada e por dentro podemos ver a Capilla de San Ignacio que é incrível. A entrada na Igreja é grátis, paga-se apenas a visita à Capela Sistina Andina.
Fui ao Museu dos Santuários Andinos para ver a Juanita mas não foi possível porque tinha sido levada para os EUA para ser estudada. Do outro lado da Praça encontra-se o meu lugar favorito em Arequipa, Mosteiro de Santa Catalina.

Este lugar foi inaugurado em 1579 e tem uma área equivalente a quatro campos de futebol. Lá dentro, perdemo-nos nas ruas, nos pátios, nas casas. Lemos o panfleto para saber mais sobre o lugar, é muito mais que um mosteiro, é uma vila que durante muito tempo viveu sem dar conta do que acontecia lá fora mesmo estando no coração da cidade. Ainda hoje, vivem lá algumas freiras mas o número está muito longe do máximo atingido outrora, cerca de 500 pessoas.
Envolvi-me no ambiente e fotografei muito. As cores, os cactos, as flores, as ruas, os detalhes. 

























Senti-me a pessoa mais sortuda do mundo porque o Mosteiro era mais bonito do que tinha visto em fotografias. Mas esse bafo de sorte preferiu ficar por lá quando nessa noite segui viagem para Cusco. 

Pela primeira vez em viagem aconteceu-me uma situação menos boa, fui roubada e levaram-me o computador e a gopro enrolados no meu blusão. O roubo aconteceu no autocarro nocturno. Soube mais tarde que foi um roubo organizado e que a companhia pela qual viajei estava envolvida. O nome é Turismo Real del Sur e, como é óbvio, não a recomendo a ninguém. Fica a dica.
A grande perda foram as centenas de fotografias e as crónicas que tinha escrito. Salvou-me o facto de ter os rolos. 
Só dei por falta das coisas quando desembarquei em Cusco. O meu mood passou de blessed para depressed em três segundos. Não aproveitei Cusco da maneira como a cidade merecia, caminhei pelas ruas adjacentes à praça de Armas e procurei a melhor maneira de fazer o Caminho para Machu Picchu. 

Na verdade só queria sair daquele país o mais rápido possível por isso desisti da caminhada clássica porque demoraria pelo menos quatro dias. Mas como sou fã de trekkings não queria perder a oportunidade de caminhar por lá. Pesquisei, analisei preços (são um bocado salgados para um backpacker com pouco dinheiro mas pouco se consegue negociar) e decidi. Dois dias, uma noite e a caminhada seria da Estação Hidroeléctrica até Águas Calientes pela linha do comboio, cerca de 10 kms.
Esta é a maneira mais barata de fazer isto. Podem fazer de comboio da Hidroeléctrica até Águas Calientes mas é muito mais caro.

Em Cusco, bastante cedo, apanhámos uma van que nos levou até à Estação Hidroeléctrica. Esta viagem dura cerca de seis horas e não é aconselhada a cardíacos pois a velocidade da van com o perigo da 'estrada' à beira do precipício é de rezar a todos os deuses. 

Quando lá chegámos pusemo-nos ao caminho mas nem o tempo estava a colaborar, o céu ameaçava desabar a qualquer momento. Preparei a garrafa de água, câmaras e a capa para a chuva e siga. Fiz amizade com uma mexicana e fomos o caminho todo a falar da vida e a apreciar a natureza.

O caminho é de cortar a respiração. Montanhas altas, o rio Urubamba a dividir a paisagem, os mil tons de verde-natureza. Estava tão embrenhada na paisagem que nem dei pela chuva cair. Chegámos a Águas Calientes ao anoitecer. 








Na praça central procurei um guia que devia estar à nossa espera, não encontrei e procurei o hostel. Já no hostel, o guia apareceu e explicou-nos como tudo ia acontecer. Nessa noite tinhamos um jantar seguido de um briefing para o dia seguinte. 
Era simples.
Quem quisesse subir a pé, deveria sair do hostel às 4 da manhã, caminhar até à porta de acesso à intensa escadaria, que abre à 5 da manhã e onde verificam a nossa identificação e o bilhete para a cidade e daí só é preciso pernas para subir tanto degrau. 
São cerca de 1700 metros a subir em degraus irregulares em que a minha asma fez questão de estar presente em cada respiração. Juntem a isto muita humidade e mosquitos e têm a festa feita. 
Também não nos podíamos esquecer, que quem quisesse voltar nesse dia para Cusco as vans partiam da Hidroeléctrica às 14h, por isso por volta das 10h30 devíamos começar a descer e retornar à base.
Quem não quisesse andar a pé , teria de apanhar uma van, pagar cerca de 12 USD por viagem e estaria lá em cima em menos de vinte minutos.
Preferi a caminhada porque penso que tenho vinte anos, ahaha.

Não foi a primeira vez que assisti a um nascer do dia na selva mas foi especial. Os sons, o nevoeiro, as montanhas a revelarem-se à medida que ia amanhecendo num caminho construido pelos incas há centenas de anos. Parei algumas vezes para recuperar o fôlego e apreciar a vista.

Às 6h30 estava na entrada da cidade perdida. Completamente encharcada e asmática mas super feliz por ter conseguido realizar mais um objectivo.

Encontrei o meu guia e comecei a escutar tuuuudo com muita atenção. Acho essencial um guia neste lugar, ouvir explicações de engenharia inca, história e mais história e muitas curiosidades que nem todos os livros trazem valem todo o dinheiro que se paga, que visto bem as coisas não é muito. Poupem no autocarro.

Adorei Machu Picchu. O dia começou enevoado mas o sol abriu pouco depois. Foi mais do que sonhava e em momento algum senti desilusão. Vale a pena ir lá em cima, ouvir e aprender tudo o que o guia tem para partilhar e disfrutar in loco de uma das sete maravilhas do mundo moderno.




São só permitidas 2500 pessoas por dia nas ruínas. E os ingressos voam, não fosse este um dos lugares mais visitados do mundo. Quando lá estive, os bilhetes para subir à montanha Huayna Picchu (a imagem de marca da cidade inca) estavam esgotados há meses e só havia vagas em Setembro (fui em Abril). Por isso só subi a Machu Picchu.

Para baixo todos os santos ajudam e às 14h estava na van a voltar para Cusco. No dia seguinte parti em direcção à Bolívia com a promessa que voltarei ao Perú para fazermos as pazes e se algum dia voltar a Machu Picchu, já ninguém me apanha a pé, pelo menos até lá cima ahaha

para lerem todos os posts desta viagem podem ver aqui


beijinhos
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8 comentários

  1. Apesar do roubo, tens imenso para contar e sobretudo para fazer viajar quem está a ler! Machu Picchu, um sítio onde quero muito ir e com as tuas fotografias, que vontade :p

    Beijocas,

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    1. Obrigada Sofia, a minha intenção é essa. Encher-vos de vontade de partir :) xx

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  2. Adoro o novo look do blog e adorei o post - os relatos, as fotografias (sempre lindas, coloridas e de cortar a respiração)! Sou fã :)

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  3. machu picchu é um dos sitios que dava tudo para visitar (juntamente com o egipto) e ver este post, quase que fiquei com lagrima no canto como se eu propria tivesse estado ai. lindo. e as tuas fotos sao maravilhosas mesmo!
    ouvi dizer que aviagem de autocarro ate la em cima é medonha, especialmente se cruzar com outro a descer ahah

    se n é indescriçao, quanto fica +- a viagem ? para peru e depois ir ai etc )
    https://rrriotdontdiet.blogspot.pt/

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    1. Obrigada :) A viagem é medonha mesmo! Eu fui para o Brasil e voltei do Chile, não te consigo responder com exactidão quanto custa uma viagem só ao Perú, mas Machu Picchu com tour (ou seja tudo incluído mas a fazeres a pé o trajecto Hidroelectrica - Águas Calientes - Machu Picchu) uns 90/100 doláres.

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  4. Que viagem maravilhosa!!! Adorava ir a esses sitios de sonho ^_^

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i heart you.

K.

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