mochilão #7 // URUGUAI :: CABO POLÓNIO





Nas minhas viagens longas gosto de adicionar um destino que não seja muito usual. No interrail fui à Macedónia, no Sudeste Asiático a Myanmar (sobre esta viagem podem ler aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui) e na América do Sul escolhi o Uruguai. Normalmente apaixono-me por esses lugares como se não houvesse amanhã e ficam na lista para um dia voltar.
Para escolher um país preferido nesta viagem escolho o Uruguai. O lugar que entra directamente para o meu top ten também fica no Uruguai e foi dos sítios com a energia mais íncrivel que senti e por isso mesmo tem direito a um post só para ele.
Não vos sei precisar quantos dias por lá fiquei mas garanto-vos que o universo fez-me um teste daqueles.
Cheguei no inicio de Março e tinha ouvido e lido que a costa do Uruguai é maravilhosa. Esta região chama-se Rocha e lembra-me a Costa Vicentina.
De toda a região, ouvi falar de umas praias que diziam ser lindíssimas. Por isso em vez de saltitar decidi escolher três e disfrutar o que cada uma tinha para me dar.
As minhas escolhas recaíram sobre: Cabo Polónio, Punta del Diablo e La Pedrera.
Cabo Polónio é daqueles sítios mágicos que vem nas histórias encantadas, conta a história que quando os barcos passavam ao largo desta costa, as bússolas ficavam malucas, os barcos acabavam por se perder e a maioria afundava. Por isso este largo é rico em tesouros que são protegidos e ninguém anda por lá a vasculhar.
Ao longo do ano é lugar de passagem nas migrações de animais: baleias, tartarugas, lobos marinhos, etc.

Não é fácil lá chegar mas vale a pena.

Como vinha do Brasil, perguntei no escritório da companhia pela qual viajei até ao Uruguai onde devia sair para chegar mais rapidamente a Cabo Polónio. Responderam-me que podia sair em Castillos, uma pequena vila, e no terminal apanhar um ônibus até Cabo Polónio. Passámos a fronteira de madrugada e às 7 da manhã a hospedeira veio nos acordar a dizer que estávamos a chegar. Devolveu-nos o passaporte e abriu a porta. Estava aquela chuvinha molha parvos e estávamos no meio do nada. No Boda, para ser mais precisa. Olhei para a Sara e comecei-me a rir, a tipa tinha me dito que havia um terminal e estávamos numa palhota em madeira numa via rápida. Era demasiado cedo, o tempo estava triste e não havia ninguém. Não tinhamos pesos uruguaianos nem um mapa. Ponderei começar a andar a pé, uns kms não fazia mal nenhum...os 10kg da mochila não havia de chatear. Ponderei a hipótese de apanharmos boleia, a Sara fez cara feia e os camiões que pararam iam todos para o Brasil (é normal, os mochileiros fazerem viagens à boleia pelo Uruguai não fiquem a pensar que sou uma louca sem noção). Até que, de repente, apareceu um senhor que nos ajudou. Explicou-me como chegar ao centro da vila, onde havia um supermercado (onde nos podiamos abastecer), banco para levantar dinheiro e o terminal para comprar os bilhetes para Cabo Polónio – Podem ir à boleia, é normal, essa malta como vocês faz isso.
Tudo resolvido.
Uma hora e meia até chegar à entrada da reserva de Cabo Polónio. Vai-se parando nas aldeias e os miúdos da escola entram e saem. Lembrou-me Myanmar, com as palmeiras mas sem os campos de melancia. Na entrada, há uma bilheteira onde se compra o bilhete e deixa-se o carro no parque. A partir daqui só se pode ir de jipe, umas 20 pessoas de cada vez.

Era final de época e a zona começou a esvaziar, firmes estavam os hippies e alguns viajantes. Ficámos num hostel na praia, com uma varanda incrível na areia e uma vibe tão boa quanto o lugar. O dono do nosso hostel precisou de sair por isso deixou encarregue do espaço um grupo de argentinos repletos de boa onda.
Convidaram-me para ficar lá duas semanas a trabalhar no hostel. Com muita pena declinei, a minha viagem tinha uma data de regresso e havia muita coisa para viver na América do Sul. Contudo é uma experiência que ainda quero viver em viagem.

Cabo Polónio é amor à primeira, segunda, terceira vista.
O dia estava murcho, com alguma chuva por isso e como a água era fria aproveitei a praia longa para procurar conchas bonitas e caminhar. Ao fundo havia umas dunas enormes, fiquei a saber que são dunas móveis e podem chegar aos 30 metros. Subi a uma para assitir ao pôr-do-sol e lá em cima meditei. De um lado um imenso mar salgado do outro um enorme mar de areia. Um contraste espectacular.

Durante os meus dias por lá, sem internet e com electricidade controlada, caminhei muito, partilhei muitas histórias com pessoas interessantes, comi sobretudo empanadas de queso y camarón (fiquei tão fã que todos dias tinha de comer pelo menos uma), fiquei maluca com os lobos marinhos que encontrei e conheci o casal mais bonito de sempre.

Tinha lido algures que a altura perfeita para encontrar os lobos marinhos era em Março, cheguei nos primeiros dias e não tinha muita esperança. No bar, perguntei à senhora se já havia lobos marinhos. Ela, muito simpática e prestável (aliás,como todos os uruguaianos com quem me cruzei) disse-me que ainda não tinha ouvido falar nada mas para ir por aquele caminho (um caminho de areia entre um campo) até ao farol e quando encontrasse a placa a dizer loberia virar à direita e se por acaso já começaram a chegar vou encontrá-los com muita facilidade.
Fui com a expectativa em baixo mas com o entusiasmo em cima.
Quando lá cheguei apeteceu-me chorar. Atingi o nirvana em tempo record. Uma rocha cheia deles.
Subi umas rochas e sentei-me, fiquei a apreciar a beleza animal.
Foi ai que conheci a Sofia e o Clemente, estavam na rocha ao lado.
Um casal argentino, ela com raízes uruguaianas em particular a Cabo Polónio. Naquelas horas (que passaram como minutos) falámos de muita coisa e aprendi muito sobre tudo.

Combinámos nos encontrar em Buenos Aires, onde vivem e onde eu ia chegar dentro de algum tempo. Trouxe-os no coração com a esperança que a vida nos cruzasse o caminho outra vez.

Voltei ao hostel completamente histérica a contar a todos que a rocha estava repleta de animais. Depois fiquei na varanda a socializar e a partilhar o meu nirvana com o grupo que lá estava.

Entrou para o meu top ten de lugares preferidos.

Os meus dias foram passados devagar, entre a praia e o farol. Entre as empanadas e os jantares à luz das velas. Entre histórias.

Foi com saudade que entrei dentro do jipe para deixar Cabo Polónio mas com a certeza que se não voltar, nunca me vou esquecer deste lugar.
"Algunos dicen que vienen a despejarse, otros dicen que en el Polonio renacen outra vez. Muchos dicen que vienen para olvidar...y yo digo que tal vez vienen para acordarse (...)" –
silvia scarlato en un hombre llamado zorro:alma del cabo polonio

próxima paragem: Punta del Diablo, La Pedrera e Montevideo

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During my long term travels I like to add an unusual destination. I went to Macedonia on my interrail, Myanmar when I was in Southeast Asia, this time i chose Uruguay. Usually I immediately fall in love for this places and automatically add them to my come-back list.
If I'm to choose a favorite country for this trip, I choose Uruguay. The place that has a direct entry on my top ten is also in Uruguay and there I felt an incredible energy so this place deserves a post of it's own. I can't precise how many days I've been there but I assure you, the universe really put me up to the test!
Cabo Polonio is one of those magical places straight out of a fairytale, the legends say that when the ships approached these coasts, their compasses would go nuts, and the ships would end up lost and sunk. So these shores are rich in unreachable treasures. All year long it's also part of migration of animals such as: whales, sea turtles, sea lions, etc.

I arrived in the beginning of March and had read and heard that the Uruguayan coast was wonderfull, that's not enough to describe it!!
This region is called Rocha and I'm so in love with it, just as much as I'm in love with my Vicentine Coast.


On the way from Brazil, I asked at the agency in which I travel to Uruguay, where would it be the quickest stop to Cabo Polónio. I was told I could stop in Castillos, a small town, and at the station catch a bus to Cabo Polónio. It was still dawn when we crossed the border, at 7 am the attendant woke us up saying we were almost there. We got our passports back, and as she opens the door I feel that drizzle as I step out to the middle of nowhere. I looked at Sara and started laughing, she said a station and we were in a tiny wooden hut on a highway. It was too early, the weather was sadning and there wasn't a single person to be seen. We didn't have Uruguayan pesos nor a map. I thought about walking, a few miles wouldnt hurt… them 10kg on my backpack wouldn't bother me much. Thought about asking for ride, Sara gave me THE face and all the trucks stopping by were going to Brazil (it's ok, backpackers usually travel by ride in Uruguay, I'm not that crazy). Suddenly there was a man passing by, he helped us. Explained me how get to the town center, where there was a supermarket (to re-supply), bank to get money and the station to buy the tickets to Cabo Polónio - It's OK to catch a ride here, people like you and me do it all the time, it's fine.
All settled.
An hour and half to get to Cabo Polónio. Passing by small villages, kids at school would come and go. Reminds me of Myanmar, with the palm trees but without watermelon fields. At the arrival, there's a ticket store where you get the tickets and park the car. From here on only by jeep, about 20 people at a time.

It was the end of the season and the place was starting to empty. We stayed in a hostel on the beach, with an amazing balcony in the sand and with such an incredible vibe. They invited me to work there for a couple of weeks. Sadly I had to decline, there was a return date and South America still had much to be seen.

Cabo Polónio is love at first, second, third sight.
On the first afternoon, and because the water is cold, I went walking alongside the beach searching for seashells. At the end there were huge dunes, I found out later that they're mobel and can reach 30 meters. I climbed one to watch the sunset and meditate. One side a sea of salt water, in the other a sea of sand. Amazing view.

My days there were internetless, and even power was limited, so I walked a lot, share many stories with interesting people, ate mostly
empanada de queso y camarón (I became such a fan that i had to eat one a day!), loved the sea lions I found and met the most beautiful couple ever.
I read somewhere that March was the perfect time to find sea lions, but didn't hold to too much hope. At the bar, i asked the lady if there was sea lions. She, very kindly and helpful (as all Uruguayans I met) told me she didnt hear anything about it yet but there was this trail (a sand trail in a field) to the lighthouse and when I'de find a sign saying
lobeira to turn right and if by chance they'de already be there I'de find them very easly. So there I went with low expectations but high enthusiam. When I arrived I felt like crying. Reached nirvana in record time. A rock full of them. I climbed some rocks and just sat there enjoying this beauty nature had to offer me. There i met Sofia and Clemente, sitting in the rock next to me. An argentine couple, she has Uruguayan roots from Cabo Polónio precisely. Hours passed (felt like minutes) we talked about so much things, I learn so much about everything.
We agreed to meet in Buenos Aires, where they live and where I'd be arriving soon. Brought them in my heart hopping that life would cross our paths once again.
I arrived the hostel hysterical telling everybody that I'de found a huge rock filled with animals. Then I stayed in the balcony socializing and sharing my nirvana with the guys.
New entry on my top ten of favorite places.
I was already missing the place when I got to the car to leave Cabo Polonio, I was sure about one thing, even if i'm never coming back, I'll never forget this place.
Algunos dicen que vienen a despejarse, otros dicen que en el Polonio renacen outra vez. Muchos dicen que vienen para olvidar...y yo digo que tal vez vienen para acordarse – silvia scarlato en un hombre llamado zorro:alma del cabo polonio

Next stop: Punta del Diablo, La Pedrera and Montevideo


 

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6 comentários

  1. Fico sempre encantada com as tuas histórias :)

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  2. Adorei, fotos espetaculares!

    http://blogmacaecanela.blogspot.pt/

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  3. fazes sonhar qualquer pessoa! fantástico!!

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  4. Relato e fotografias espetaculares :)

    Rui Quinta (Na Brevidade)

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  5. e você foi até lá? que incrível. já li tantas histórias e já vi tantas fotografias sobre esse lugar quando mais nova. é lindo mesmo :)

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i heart you.

K.

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